07 outubro 2009

A fome das vitaminas e minerais

Comecei a tomar vitaminas e minerais hoje pela manhã e absurdamente sumiu minha fome daquilo que não sei do que é… Sabe quando você abre a geladeira olha, não consegue achar o que quer, dai fecha, volta, abre de novo, e pega qualquer coisa pra comer…????

Vejam a reportagem que achei pesquisando sobre o fato ocorrido.

A fome que não acaba
A falta de vitaminas e minerais no organismo tem levado especialistas a ficarem mais preocupados com o consumo cada vez menos saudáveis dos brasileiros. Essa deficiência nutricional a longo prazo pode levar ao desenvolvimento de várias doenças. A boa notícia é que a prevenção está no seu cardápio.

Por incrível que pareça, o excesso de peso pode esconder uma carência nutricional que tem preocupado especialistas no mundo todo: a chamada fome oculta – que, segundo definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), é a necessidade não explícita de um ou mais dos 26 micronutrientes (vitaminas e minerais) essenciais para o funcionamento do nosso organismo. A fome oculta é uma desnutrição diferente daquela que todo mundo conhece, em que a pessoa fica muito magra, com as pernas e os braços finos e a barriga dilatada (em função de edema de alguns órgãos). “No passado acreditava-se que um indivíduo com excesso de peso era bem alimentado”, explica a nutricionista Fernanda Pisciolaro, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso). “Porém começamos a notar que muitas crianças e adultos, apesar do sobrepeso, tinham doenças ligadas à deficiência nutricional de vitaminas D e B12, ferro, cálcio, fósforo, potássio e outros nutrientes, embora sua ingestão calórica diária estivesse até acima das necessidades”. Em outras palavras, a fome oculta não tem a ver com a quantidade, mas com a baixa qualidade nutricional dos alimentos que ingerimos.

Mas o que uma pessoa acima do peso tem a ver com isso? Tudo, já que um dos principais sintomas do problema é a fome excessiva – o que seria uma tentativa de o sistema orgânico nos obrigar a comer alimentos que contenham os nutrientes que ele necessita. “Como o organismo não sabe que tem carências nutricionais como a de zinco, de vitamina A ou de cálcio – daí a expressão ‘fome oculta’ –, ele sente uma necessidade genérica, na ‘esperança’ de consumir justamente os produtos ricos em micronutrientes que estão fazendo falta no organismo”, explica Fernanda Pisciolaro.

O problema é que se você tentar matar essa necessidade de comer com bolos, biscoitos, pães e outras guloseimas feitas com farinha e açúcar refinados e gordura, que são pobres em micronutrientes, o resultado será o excesso de peso e o agravamento da deficiência nutricional.

Alvo preferido? Quem come mal

“Esse mal é democrático porque atinge um em cada quatro habitantes do planeta independente de classe econômica, nível cultural e escolaridade”, diz a nutricionista Andréa Ramalho, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisadora do CNPq e consultora do Ministério da Saúde. “Se você não consome de 4 a 9 porções diárias de vegetais (hortaliças, legumes e frutas), de carboidratos complexos (grãos integrais, muito mais nutritivos do que os polidos ou refinados) e de proteínas (laticínios, carnes e peixes), é provável que apresente algum grau de fome oculta”, enfatiza Andréa.

Até pouco tempo se imaginava que esse tipo de desnutrição acometia indivíduos com grande demanda nutricional: gestantes, mulheres no período de aleitamento e crianças em fase de lactação ou na pré-escola. Esse era o grupo de risco clássico. “Vários levantamentos realizados em todas as regiões do Brasil, porém, demonstram que outros grupos também podem manifestar o problema”, aponta Andréa. “Recentemente, uma pesquisa nutricional realizada pelo Instituto Brazilian Osteoporosis Study (Brazos) confirmou que a população brasileira, em geral, come mal quantitativa e qualitativamente. Tanto é que engorda, apresentando uma preocupante deficiência de vitaminas e minerais (veja quadro)”.

O grande problema envolvendo o grupo de risco tradicional são as conseqüências da fome oculta. Gestantes, mães que amamentam, bebês e crianças na pré-escola vivem um pico de demanda nutricional para formar tecidos e órgãos – e, se essa exigência não for atendida de maneira adequada, poderá gerar seqüelas para o resto da vida. “Durante a gestação, por exemplo, a necessidade de ferro aumenta tanto que é muito difícil evitar um déficit desse mineral”, explica a nutricionista Andréa Ramalho.

Por isso o Ministério da Saúde criou dois projetos de suplementação. O primeiro é o Programa Nacional de Suplementação de Ferro, que visa a reduzir a anemia por deficiência de ferro em crianças de 6 a 18 meses, em mulheres grávidas e na fase de pós-parto. O segundo é o Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A, que busca controlar a deficiência do nutriente em crianças de 6 a 59 meses e em mulheres no pós-parto, em regiões geográficas consideradas de risco.

“O ideal é que todas as gestantes sejam acompanhadas por nutricionistas no pré-natal”, recomenda Andréa. “Assim se pode avaliar o padrão alimentar e se ele está suprindo o organismo com todos os micronutrientes necessários.”

Tabagistas e obesos estão no grupo de risco

Entre os indivíduos que não integram o grupo de risco clássico, mas que são mais suscetíveis à fome oculta, estão os tabagistas, pessoas que consomem bebidas alcoólicas com freqüência, esportistas, obesos e estressados em geral. “O cigarro, o álcool, a atividade física, a obesidade e o estresse aumentam a produção de radicais livres no organismo, fazendo que essas pessoas necessitem de maiores quantidades de micronutrientes”, alerta Andréa.

Quem tem fome oculta ainda corre o risco de ver-se às voltas com outro problema sério: “A carência nutricional acaba dificultando a assimilação de outros nutrientes, criando um efeito dominó que aumenta a deficiência já instalada”, observa a nutricionista ortomolecular Camila Sanches, da Clínica Masci, de São Paulo. Por exemplo: para absorver o ferro e outros minerais precisamos de vitamina C e, na falta de cálcio, há prejuízo para assimilar a vitamina B12. “O déficit de sódio e ou potássio, minerais que trabalham juntos na manutenção do sistema de regulação da pressão sangüínea, por exemplo, podem levar a hipertensão.”

A fome não é o único sintoma

Além disso, a fome oculta faz adoecer com mais freqüência e severamente porque não temos um sistema de defesa antioxidante adequado para combater os radicais livres. Assim, aumenta a predisposição ao desenvolvimento ou agravamento de doenças crônicas não-transmissíveis, como câncer, diabetes e obesidade. “Dentre os principais sintomas estão dificuldade de concentração, falta de energia, sonolência, queda de produtividade e irritabilidade”, diz. Andréa. “Como os micronutrientes regulam o metabolismo, se você ingerir menos do que deveria podem ocorrer oscilações nas taxas de neurotransmissores e, com isso, alterações de humor.” Além da avaliação do padrão alimentar, o diagnóstico pode ser feito pela observação de cabelos e unhas (quebradiços), da pele (ressecada), das mucosas (se estiverem pálidas, rachadas ou inchadas).“

A cura é rápida e está na mesa

Em alguns casos é necessário um exame bioquímico para avaliar o grau de carência nutricional antes de pensar em corrigi-lo. “Se o déficit nutricional for severo, é preciso fornecer suplementos vitamínicos e minerais ou alimentos enriquecidos para reverter a carência mais rapidamente”, explica a nutricionista Andréa Ramalho.

Estudos mostram que suplementos adequados revertem o quadro de carência em 48 ou 72 horas, mas a pessoa só vai sentir os efeitos positivos em algumas semanas. Já alimentos enriquecidos com nutrientes exigem mais tempo: 30 dias. “Por fim, se a opção for pela mudança de padrão alimentar, o restabelecimento do equilíbrio de vitaminas e minerais no organismo vai depender do tempo que a pessoa leva para incorporar os novos hábitos de alimentação”, afirma Andréa. “Esta mudança é indispensável porque dá a garantia de que o quadro de carência nutricional não se repetirá – ou, caso retorne, não seja severo.”

"Os sintomas clássicos da fome oculta são dificuldade de concentração, falta de energia e queda na produtividade"

"Os principais problemas relacionados a falta de micronutrientes no organismo estão a osteoporose, a hipertensão, o diabetes e a síndrome metabólica"

O brasileiro come mal

Pesquisa realizada em 2006 pelo Instituto Brazilian Osteoporosis Study (Brazos) revelou que os brasileiros ingerem menos vitaminas e minerais do que deveriam, por causa do consumo insuficiente de vegetais e grãos. Eis algumas conclusões do levantamento, que avaliou 2.420 pessoas em todas as regiões do País:

90% da população consome uma média diária de 400 mg de cálcio, quando o recomendado seriam 1.200 mg.

Em 99% dos entrevistados, a ingestão de vitamina D é quase seis vezes menor do que o recomendado (10 microgramas diários até os 70 anos de idade e 15 microgramas acima de 70 anos).

99% também não consomem a quantidade de vitamina E indicada: 12 mg/dl.

50% ingerem menos vitamina A do que o necessário.

80% também não atingem a quantidade ideal de magnésio (350 mg/dl em homens e 265 mg/dl em mulheres). O mesmo vale para a vitamina C:

80% consomem menos que os 75 mg/dl recomendadas. A vitamina K está abaixo do recomendado para 81% da população. Minerais como selênio, cobre, zinco e iodo são consumidos num percentual 40% abaixo do recomendado.

Já o ferro é ingerido num nível aceitável, apenas 10% abaixo do ideal. Conforme a pesquisa, as principais doenças relacionadas à falta desses micronutrientes seriam osteoporose, hipertensão, síndrome metabólica, diabetes, problemas relacionados ao sistema nervoso central e ao coração, diminuição da imunidade e câncer de cólon (comprovado, no caso da falta de cálcio).

Um comentário:

Daniele disse...

Hummmm, acho que estou começando a entender o que se passa comigo às vezes...rsrs
O que vc tá tomando pela manhã? Tenho que prestar atenção a isso... Acho que tô me alimentando beeem melhor, mas não sei se ainda é o necessário....
Beijos!